Anti-inflamatório ibuprofeno reduz risco de Parkinson
02 de março de 2011 • 20h48 • atualizado às 21h00
Os adultos que tomam regularmente ibuprofeno, um anti-inflamatório, têm 27% menos riscos de desenvolver a doença de Parkinson, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira.
"Não há remédio para a doença de Parkinson, então a possibilidade de que o ibuprofeno, um medicamento relativamente não tóxico, possa ajudar a proteger contra esta doença é apaixonante", afirmou o médico Alberto Ascherio, professor de epidemiologia e nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (Massachussets, nordeste), um dos coautores da pesquisa.
O Mal de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que causa rigidez muscular, dificuldade para iniciar movimentos, falta de equilíbrio e lentidão nas ações voluntárias.
Os neurologistas consideram que o ibuprofeno reduz a inflamação no cérebro que poderia contribuir para o desenvolvimento da doença.
O estudo foi publicado na versão on-line da revista Neurology, da Academia americana de neurologia. Os pesquisadores analisaram os dados médicos provenientes de 98.892 enfermeiras e de 37.305 homens, também profissionais de saúde.
COMENTÁRIO:
Uma questão interessante é que se este estudo for comprovado, mesmo que continue não havendo uma cura para o Parkinson, haverá uma forma preventiva contra esse mal. o que já é um excelente início.
Óleo de planta ajuda a recuperar movimentos de vítimas de AVC
12 de março de 2011 • 12h26
O óleo essencial da Alpinia speciosa Schum, planta regional do Nordeste conhecida como 'Bastão do Imperador' e muito utilizada na fabricação de colônias para o candomblé, tem ação relaxante que ajuda na recuperação pacientes com o sistema nervoso lesionado por doença vascular encefálica, lesões de medula, paralisia cerebral, traumatismo crânio-encefálico, esclerose múltipla, entre outras enfermidades que atingem a via nervosa.
A descoberta, feita em Sergipe pela fisioterapeuta Edna Aragão Farias Cândido durante a conclusão do doutorado pela Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), já gerou patentes nacional e internacional.
Edna Aragão, que desenvolveu pesquisas no Centro de Fisioterapia da Universidade Tiradentes, em Aracaju (SE), avaliou quase mil grupos musculares e acompanhou 75 pacientes. Todos recobraram os movimentos. O caso mais significativo é o do lutador de jiu-jitsu sergipano João Alberto Alves, 31 anos.
Em 2007, Alves sofreu um acidente vascular encefálico após cirurgia para retirada da glândula tireoide. "Eu era independente e, de uma hora para outra, me vi precisando de ajuda para fazer tudo. Foi muito difícil", afirma o lutador que sequer levantava da cama, mas hoje usa o andador com facilidade e faz exercícios físicos.
Em uma situação patológica, por falta de controle do sistema nervoso central, os impulsos nervosos vindos da medula para o músculo ficam acentuados, causando espasticidade (espasmos) e, ao mesmo tempo, paralisia muscular. Em sua tese, a pesquisadora mostrou que o óleo atua nos canais de cálcio, responsáveis pela contração muscular. O excesso de cálcio promove a tensão do músculo. Sua normalização permite que o músculo contraia e relaxe normalmente, o que gera energia para novos movimentos.
Patentes
A pesquisa desenvolvida em Sergipe despertou o interesse da Hebron, fabricante de fitoterápicos com sede em Recife (PE) e relações comerciais em países como Estados Unidos, Cuba, África do Sul, Portugal e Áustria. A empresa cultivou a planta, forneceu matéria-prima para o tratamento dos pacientes sergipanos e financiou equipamentos para a avaliação dos resultados.
Foram investidos cerca de R$ 30 mil que renderam patentes nacional e internacional à empresa pernambucana e ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), centro de laboratórios instalado em Aracaju, onde Edna Aragão realizou os estudos sobre a ação da Alpinia.
O próximo passo da Hebron e do ITP é conseguir autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para industrializar e comercializar o óleo essencial. A expectativa é que isso aconteça em 2012.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4986047-EI8147,00-Oleo+de+planta+ajuda+a+recuperar+movimentos+de+vitimas+de+AVC.html
Comentário:
Essa descoberta pode mudar muitas coisas daqui pra frente, para todos os beneficiados seria como nascer de novo. E também esta forma de acelerar a recuperação dos movimentos não é agressiva, o que torna o projeto muito mais interessante. Tomara que seja levado a diante, por se tratar de uma ideia muito criativa e benéfica.
Célula do dente volta a fase "embrionária"
19/03/2011 - 10h12
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GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
A partir de agora, pais e dentistas terão concorrência pelos dentes de leite das crianças. Cientistas brasileiros conseguiram usar a polpa desses dentes para criar células-tronco que podem dar origem a qualquer outra do corpo humano.
O grupo fez células-tronco adultas do dente regredirem até um estágio pluripotente induzido (ou iPS, em inglês), que tem propriedades semelhantes às das versáteis células-tronco embrionárias.
Grosso modo, é como se eles pegassem uma célula de árvore e a fizessem voltar ao estado que tinha na semente -capaz de originar qualquer parte da planta.
Como um dos principais objetivos do trabalho é tratar crianças com autismo, o fato de o método ser não invasivo é uma grande vantagem. Colher sangue ou fazer uma biópsia pode ser um processo muito traumático para os pequenos, além de trabalhoso para os médicos.
Muitos pesquisadores estudam iPS de células da pele. Como elas são mais expostas à luz, a contaminantes e outros causadores de mutações, sempre há riscos de que as células derivadas possam acabar comprometidas.
Com os dentes de leite, que ficam "escondidos" na boca, esse risco é menor.
Além disso, essas células dentárias chegam a um estágio pluripotente pelo menos na metade do tempo que a maioria das outras.
Isso faz com que os cientistas possam acelerar o trabalho e também reduzir o custo, uma vez que o meio de cultura é caro. Cerca de R$ 1.500 por 500 ml.
Para a líder do trabalho publicado na revista "Cell Transplantation", Patrícia Beltrão Braga, da USP, o tempo menor tem a ver com as próprias características das células da polpa do dente.
"Essas células têm em sua superfície algumas proteínas que também estão nas células embrionárias. Isso nos fez levantar a hipótese de que a reprogramação poderia ser mais rápida e eficiente."
MEMÓRIA
Há indícios de que as células iPS, apesar de se tornarem versáteis, ainda guardam alguma "memória" de seu tecido original.
Isso pode se revelar inesperadamente útil no caso das células dentárias, porque elas têm semelhanças com as do sistema nervoso.
"Ainda é muito cedo para dizer se isso acontece mesmo. Mas já há indícios de células neurais, exatamente as que queremos", conta ela.
Stevens Rehen, da UFRJ, que não participou do trabalho, acha que a redução do tempo pode dar mais competitividade ao grupo. "Também indica que, felizmente, vivemos um excelente momento para as pesquisas com iPS no Brasil."
Ainda não há previsão de quando terapias com iPS poderão chegar ao público.
COMENTÁRIO:
Este estudo recente é muito animador, a célula pluripotente embrionária é algo muito controverso, porém se passarmos a conseguir obtê-la desta forma, o trabalho destes médicos e cientistas será facilitado e haverá o beneficio do paciente sem tirar a vida de ninguém. O que me faz pensar que só temos a ganhar com a comprovação deste estudo.
Japoneses criam os primeiros espermatozóides em laboratório
24/03/2011 - 08h51
GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
Cientistas do mundo inteiro tentavam há quase um século, mas só agora um grupo conseguiu: pela primeira vez na história foi possível criar espermatozoides de um mamífero em laboratório.
A experiência foi feita com camundongos, mas o objetivo é adaptar a técnica para resolver problemas de fertilidade em seres humanos.
Os espermatozoides, criados por pesquisadores japoneses da Universidade da Cidade de Yokohama, conseguiram dar origem --por meio de fertilização in vitro-- a descendentes, machos e fêmeas, saudáveis e férteis.
Isso aconteceu até quando as células colhidas haviam passado algum tempo congeladas. É um fator que tradicionalmente atrapalha o sucesso da fertilização.
Para chegar ao resultado, os cientistas retiraram, por meio de uma biópsia, células dos testículos de camundongos recém-nascidos, com dois ou três dias de vida.
Esse material tinha apenas gonócitos e espermatogônias, estágios primitivos do complexo processo de formação dos espermatozoides.
Os cientistas tentaram fornecer quase todos os componentes da formação natural das células. Para que elas se desenvolvessem totalmente, eles adicionaram KSR, produto muito usado em culturas de células-tronco.
Após cerca de um mês, eles confirmaram a produção dos espermatozoides. As culturas continuaram produzindo essas células durante cerca de dois meses.
CÂNCER
O sucesso da técnica em camundongos animou os cientistas. Um dos futuros objetivos da pesquisa é oferecer uma alternativa para preservar as células reprodutivas de crianças e jovens que precisam ser submetidos a tratamentos que podem causar infertilidade, como quimioterapia e radioterapia.
Para um organismo masculino completamente desenvolvido pode ser fácil conseguir farta quantidade de espermatozoides. Em crianças, o processo de maturação não está concluído, o que torna isso mais difícil.
O novo método também poderia ser aplicado em situações em que a infertilidade masculina é causada por outras razões.
Em certos casos, os homens conseguem completar com sucesso as etapas iniciais da divisão celular que origina o espermatozoide. É na hora de completar a etapa de maturação, porém, que algo sai errado e eles não conseguem gerar espermatozoides férteis.
IN VITRO
Pesquisas anteriores sugerem transplantes de células-tronco no tratamento contra a infertilidade. Tecnicamente, isso provavelmente seria possível com os espermatozoides criados em laboratório, gerando filhos pela "maneira tradicional".
Ainda assim, seriam necessários muitos outros testes para verificar a segurança dos transplantes.
Os criadores do esperma de laboratório pretendem usar fertilização in vitro, mas não há previsão de quando o método possa chegar ao público.
De acordo com especialistas, ainda é necessário cautela e, principalmente, mais testes para verificar se os descendentes produzidos com as células de laboratório são realmente saudáveis.
"A prole ser fértil é apenas um indicador bruto de que os gametas são "normais'", dizem os geneticistas Marco Seandel e Shahin Rafii, em crítica também na "Nature".
"Pesquisas devem ser feitas para saber se os descendentes da fertilização in vitro são saudáveis em outros aspectos (envelhecimento, sistema imune e outros)."
ESTUDO COMPLEXO
Embora seja a menor célula do corpo humano, o processo que produz o espermatozoide --conhecido como espermatogênese-- é complexo e leva mais de um mês.
Seu tamanho diminuto e a complexidade de sua estrutura mantiveram muitas de suas propriedades em segredo até agora.
Na semana passada, pesquisadores finalmente anunciaram como o espermatozoide é atraído para o óvulo uma espécie de poro das células "sentiria" a presença de progesterona e dispararia o mecanismo.
O sucesso com os camundongo abre as portas para a experiência em humanos, mas ainda não há previsão disso. "Estou confiante que conseguiremos aplicá-la [a técnica] em animais maiores", disse Takehiko Ogawa, chefe do trabalho.
COMENTÁRIO:
É um estudo revolucionário, mesmo que tenha sido testado apenas em camundongos, pois o sucesso desta operação dá-nos grande esperança de que quando executada em humanos haja o mesmo resultado positivo, o que realmente seria um avanço, uma revolução da ciência.
Estudo: hormônio do estresse pode ajudar na cura do medo de altura
29 de março de 2011 • 11h30 • atualizado às 12h08
Cientistas na Universidade de Basel, na Suíça afirmam que comprimidos de hormônio do estresse, o cortisol, podem ajudar pessoas a superar o medo de altura.
A pesquisa, publicada na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, pode levar ao desenvolvimento de tratamentos para uma série de problemas ligados à ansiedade.
Os cientistas fizeram testes em 40 pacientes que sofriam de medo de altura, ou acrofobia. Além dos comprimidos de cortisol e placebos, os pacientes também passaram por terapia comportamental. Depois dos testes, os pesquisadores descobriram que os que receberam o cortisol junto com a terapia comportamental tinham registrado uma grande redução do medo.
Terapia
Fobias, como o medo de altura são comuns e a característica delas é o medo pronunciado e desproporcional de certos objetos ou situações, como olhar para baixo de cima de uma plataforma elevada.
Para o tratamento de fobias geralmente é aplicada uma forma específica de psicoterapia, a exposição do paciente de forma controlada a situações consideradas assustadoras, para, gradualmente, diminuir o medo.
O professor Dominique de Quervain, diretor do Departamento de Neurociência Cognitiva da Universidade de Basel, sugeriu, devido aos seus estudos anteriores, que o cortisol poderia ajudar no processo de 'aprendizagem' do paciente durante esta terapia de confrontação.
Os 40 pacientes que participaram da pesquisa sofriam de vertigens e, durante uma semana, tiveram três sessões da terapia de confrontação de seu medo. Metade deles recebeu um comprimido de cortisol uma hora antes da sessão de terapia, a outra metade recebeu um comprimido de placebo.
Os pacientes eram em seguida expostos a situações de medo de altura por meio de realidade virtual. Os cientistas mediram o medo dos pacientes três a cinco dias depois da terapia e um mês depois da última exposição à situação de medo. A análise do medo dos pacientes foi feita através de questionários e sensores colocados na pele.
As pessoas que tinha recebido o comprimido de cortisol mostraram uma diminuição significativa no nível de ansiedade, em comparação com os pacientes que receberam o placebo. Agora, os cientistas da Universidade de Basel planejam investigar os efeitos do cortisol junto com a psicoterapia no tratamento de outras fobias e ansiedades.
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ResponderExcluirAbraço,
Telmo.